@emgalego, muito mais do que um consultório lingüístico


O artigo @emgalego, muito mais do que um consultório lingüístico foi publicado originalmente no Fest-AGAL 2018, a revista que a Associaçom Galega da Língua (AGAL) distribuiu em 25 de julho de 2018.


Que número vai antes, o cagagésimo ou o colhonésimo? Se a senhora pataca nom quer namorar com o senhor pataca, é que só o quer como amido? Sabes a diferença entre as pipocas e os flocos de milho? Porque a polícia nom usa xabom, senom que prefere detergente?

Destas cousas falamos no @emgalego, o consultório lingüístico que a AGAL tem no Twitter. Levamos desde setembro de 2015 a dar dicas e conselhos para usar melhor a nossa língua. E nom só isso, senom que também tentamos dar resposta a todas as dúvidas que tenhas sobre a nossa língua. Dúvidas que podem ser com Ñ ou com NH, já que a nossa língua pode ser escrita de mais de umha maneira, mas isso nom interessa. Nós pensamos que tanto tem galinha que galiña, o importante é que ponha ovos. Se alguém tem umha dúvida sobre o galego, pode contar connosco.

Se existe umha cousa que carateriza o @emgalego, é o humor. Porque o galego fala-se muito melhor com um sorriso nos lábios.

Mas, se existe umha cousa que carateriza o @emgalego, é o humor. Porque o galego fala-se muito melhor com um sorriso nos lábios. Podíamos ser gente séria, circunspecta, e responder todas as dúvidas desde o academicismo mais técnico. Dar dicas sobre a correta colocaçom dos pronomes nas oraçons subordinadas. Podíamos. Mas provavelmente acabássemos tam aborrecidas nós escrevendo como vós lendo. E nom se trata disso. Trata-se de demonstrar que a nossa língua é interessante, divertida, extensa, útil e variada. De usar corretamente o galego em todos os seus registros, também no mais vulgar. Porque temos muitas palavras para chamar à chuva, mas temos outras tantas para chamar à merda. E tam valioso é saber o que é a poalha como o que é a furrica.

Ei! Parai já! Sabemos o que estades a pensar! Estas o que querem é dar liçons à gente e dizer como tenhem que falar! E nom, nom se trata disso. Se seguides a conta, veredes que nom só respondemos, senom que também nós temos perguntas para todas vós. Queremos aprender convosco. Queremos partilhar com o mundo essas palavras que só tendes ouvido na vossa casa. Queremos saber como é que vós dizedes certas palavras, como é que usades a nossa língua, como é que vivedes o galego. Porque a língua, afinal, nom é o património de quatro senhores sentados nas suas cadeiras a discutir sobre o correto uso dos acentos diacríticos. É património de todas vós, que a usades dia a dia.

Levamos já um bom tijolo escrito. Perdoa. Nom estamos acostumadas a escrever mais de 280 carateres seguidos, e isto de escrever um artigo inteiro no Fest-AGAL é complexo. Mas se chegaste até aqui, queremos propor-che um jogo. Quando acabes de ler este artigo, entra no Twitter e insulta-nos. Sim, de verdade, sem contexto nem nada. Simplesmente menciona a conta de @emgalego e dedica-nos o insulto mais imaginativo, cruel e ferinte que conheças na nossa língua. Pode ser apenas umha palavra ou ser umha frase inteira, pode estar escrito em galego internacional ou na norma da RAG. Tanto tem, sempre que seja na nossa língua. Prometemos fazer retweet e seguir toda a gente que nos insultar. E o nosso insulto favorito terá um lugar destacado no nosso perfil. Animas-te?