Desconsolado


O artigo Desconsolado foi publicado originalmente no PGL em 23 de setembro de 2016.


O outro dia ia pola rua e topei um neno a chorar. Perguntei-lhe o motivo dos seus choros e respondeu-me que é que perdera a sua consola. Normal, pensei. O coitado estava desconsolado.

Os videojogos passárom a ocupar umha parte mui importante das nossas vidas sem nos decatarmos. Pode ser que nom tenhas consola. Pode ser que nom jogues no computador. Pode ser, mesmo, que nunca che desse por descarregar um joguinho no móbil. Gente excêntrica há em todos os lados. Mas di-me… quem nom sabe o nome do famoso canalizador da Nintendo?

Já agora, sim, canalizador é a palavra correta para a pessoa que trabalha nos sistemas de canalizaçom de água. E o nome do canalizador da Nintendo é Mario. Nom é Mario Bros, já que “bros” é a abreviatura de “brothers”, irmãos, em referência ao Mario e ao seu irmão Luigi. Também nom é Super Mario, nom, por muito que o seu jogo mais clássico se chame Super Mario Bros. É, simplesmente, Mario. Aquele que te comeu atrás do armário.

Mas sem dúvida o maior fenómeno dos últimos tempos é Pokémon. Os Pokémon estám por todas as partes, literalmente, já que o seu último videojogo, Pokémon GO, vai precisamente de capturá-los no mundo real. E esta fama levou consigo umha controvérsia… como devemos escrever Pokémon na nossa língua? Os donos da franquia deixárom-no claro, sempre é Pokémon, invariável. Assim, o correto é “a franquia Pokémon”, “capturei um Pokémon” e “conseguim todos os Pokémon”.

Porém, a fala popular nem sempre é como recomendam os donos das marcas, e a gente usa “Pokémons” no plural. Depois estám as autoridades linguísticas, sempre tam preocupadas em manter a pureza da língua, que recomendam adaptar a palavra completamente e escrever “poquémon”. Segundo o critério do Ciberdúvidas, por exemplo, o correto seria “a franquia Pokémon”, “capturei um poquémon” e “conseguim todos os poquémones”. A RAG nom se manifestou ao respeito, mas vendo as suas últimas escolhas, como “chío” para “tweet” ou “cancelo” para “hashtag”, nom me estranharia que se decantassem por algo do tipo “bichoco”.

Nom podo falar de videojogos sem falar do meu primeiro amor, o Sonic. Um ouriço azul que pode correr mais rápido que a velocidade do som. E sim, é um ouriço, nom um porco-espinho, já que como explicou o @emgalego na linguagem técnica descrevem espécies diferentes. Que sim, nem os ouriços nem os porcos-espinhos som azuis e antropomórficos, mas… tentai manter a mente aberta.

Já para concluir, vou fazer umha mençom especial ao Tetris, o videojogo que tem a música mais reconhecível da história. E é que… sabíades que a famosa melodia é na realidade umha versom de umha cançom popular rusa chamada Korobeiniki? Em ruso, o nome significa “vendedor ambulante”, e a cançom narra a história de um homem que tenta vender as suas mercadorias a umha rapariga chamada Katya. Umha cousa leva à outra e afinal acabam os dous pinando entre o centeio. Nós na Galiza somos mais de pinar entre o milho, mas isso já é cousa da agricultura de cada país. Diferentes cereais, um mesmo sentimento.

E nom tenhades inveja do povo russo, ho, que a música galega também se deixou ouvir num dos videojogos indies mais famosos dos últimos tempos, o Braid. Concretamente, no segundo mundo soa umha das nossas melodias mais famosas, O som do ar.