¿Por qué hablas gallego?


O artigo ¿Por qué hablas gallego? foi publicado originalmente no blogue Indo Amil em 13 de outubro de 2012.


¿Por qué hablas gallego? Todas as pessoas galego-falantes, tarde ou cedo, topam-se com esta pergunta. Qual é a resposta certa? Simples, nenhuma.

À primeira vista pode parecer uma pergunta sem malícia, feita com toda a boa intenção do mundo, mas não o é. É como quando estás num bar e um mangalhão chega e diz Ei, estás a olhar para a minha moça? Digas o que dixeres, o resultado vai ser o mesmo, vás levar uma pancada.

¿Por qué hablas gallego? é, em si mesma, a maior expressão da anormalidade linguística em que vivemos. Quando perguntas o porquê dalguma cousa é porque essa cousa não encaixa nos teus esquemas mentais, porque parece estranho e tem que haver algum motivo atrás para ser assim. A gente não pergunta Ei, por que tomas um iogurte depois de comer como sobremesa e não antes como entrada? ou Ei, por que levas a gravata no pescoço e não ao redor da testa? E não o fai porque, mesmo não sabendo o porquê dessas cousas, é o normal.

Então, voltando ao tema da língua, falar galego na Galiza não é normal. Sim, ainda é a língua mais falada no território, mas se és uma pessoa de mediana idade num núcleo urbano falares galego é anormal. Não entra dentro dos esquemas da gente… salvo duas exceções. E eis o motivo polo qual a pergunta é feita em última instância, para colocar-te num destes dous apartados do esquema linguístico galego: a) és de aldeia ou b) és nacionalista (galego). Ou de pueblo ou del Bloque.

Se nasceste no rural, tudo encaixa. Se és da cidade, não há mais opção: és nacionalista. E tanto tem que lhe expliques qualquer motivação afetiva ou costumista alheia à política, és nacionalista. Tanto tem que emules os versos de Celso Emílio e digas aquilo de falo galego porque me peta, és nacionalista e, para mais, antipático.

Sim, sei o que estades a pensar, tudo isto é mui exagerado. Nem sempre é assim, isso só passa em Vigo e na Crunha, que são mui senhoritos… pois não. A pergunta está tão enraizada no nosso auto-ódio que mesmo está presente nos maiores defensores da língua. Desde vídeos para normalizar o galego na infância (por mui bons que sejam) até entrevistas a grupos musicais em publicações em galego. Imaginades que uma nena de Islândia tivesse que explicar por que fala islandês, idioma que tem tantos falantes como habitantes tem Vigo? Imaginades que uma publicação perguntasse a Carla Bruni por que canta em francês?

Não são precisos motivos para falar galego. Não é preciso escusar-se. Não é preciso dar explicações a ninguém. Simplesmente há que sair à rua e viver a tua vida falando na tua língua, sem complexos. E a próxima vez que vos vejades ante esta pergunta, postos a cumprir tópicos, melhor cumprir aquele que diz que a gente galega sempre responde com outra pergunta.

¿Por qué hablas gallego?
— E tu, por que falas castelhano?