Bola do Dragom - Traduções espelidas


O artigo Bola do Dragom - Traduções espelidas foi publicado originalmente no blogue amilgz.blogaliza.org em 24 de setembro de 2007.


Normalmente a equipa de dobragem da TVG é boa e fai um excelente trabalho, impossível de realizar sem os magníficos tradutores que trabalham por detrás deles. Mas há casos nos que nom…

Dragon Ball, série de anime (banda animada feita no Japom), é um dos referentes a nível mundial e uma obra mestra no seu campo. Temos a sorte de podê-la ver em galego desde há quase 20 anos, mas… a traduçom, muitas vezes, deixa muito a desejar.

- Comecemos polo nome: a série tem três partes Dragon Ball, Dragon Ball Z e Dragon Ball GT. O primeiro grande erro que cometeu a Galega foi nom procurar um nome bom a essa altura, como As bólas do dragón ou, ainda melhor, Bóla do dragón (a semelhança das traduções ao basco e ao catalão, Dragoi Bola e Bola de Drac), ou mesmo deixar o nome original e pronto. A TVG nom fez isso, optou por fazer como a traduçom castelhana e chamá-lo As bólas máxicas. E ficaram tão cheios. O problema apareceu com a segunda parte da série, que de seguirem a minha proposta ficaria como Bóla do dragón Z (como, nom obstante, canta a primeira abertura da Dragon Ball Z - abertura inventada polos franceses, donde a Galega comprou a série-). Eles, como optaram por aquel nome estrambótico, optaram chamá-lo, num alarde de incoerência, Dragón Z. E quando chegou o momento de chamar à terceira parte (que eu chamaria Bóla do dragón GT), aqui sim, deixaram o nome original, Dragon Ball GT.

- Quanto às aberturas e encerramentos nom tenho queixa (salvante algum castelhanismo como Dinosaurio, pronto -com o sentido de aginha, logo-). O que tenho é uma teoria a respeito da traduçom da cançom de abertura Cha-la head cha-la: O refrão, também título da cançom, diz Cha-la head cha-la, frase que nom significa nada. Algum espabilado perguntaria “Ouve, que significa Cha-la head cha-la”, ao que lhe responderiam “Nada”. E assim é como temos que, em galego, diz “Nada, nada”.

- Os nomes das técnicas, aí sim que armaram uma gorda. Tenho escuitado num mesmo capítulo (concretamente o filme Superbatalla na Terra) chamar-lhe Onda Vital a três técnicas distintas (ao Kamahameha, ao Masenko e à Bola Genki). Isso nom está bem. Já nom estou de acordo com a traduçom do Kamehameha para Onda Vital, como para que ainda cometam incongruências com os seus próprios nomes traduzidos. As técnicas, se fazem favor, na língua original.

- Os nomes dos Saiyajin: o seu povo é o povo Saiyan, traduzido às vezes Guerreiros do Espacio e outras como Saián. Os próprios habitantes, os Saiyajin, som chamados igual Guerreiros do Espacio ou Saiáns, sem diferenciar o nome do povo do dos seus habitantes. A traduçom correcta deveria ter uma analogia com o povo de Namek e os Namekianos, e bem se poderia deixar Saian -ou, melhor, Saiyan- e Saiáns -ou Saiyáns- (como a Suíça, cujos habitantes som conhecidos como Suíças e Suíços), ou colher o original Saiyan e Saiyajin. Pola mesma, as formas de SuperSaiyajin formariam-se acrescentando o prefixo Super- fosse qual for a forma escolhida. (Ainda assim, direi que pessoalmente gosto muito das formas Guerreiro do Espazo e Superguerreiro do Espazo).

- Os nomes das personagens nom têm falho, salvante o problema de Picoro e o Fillo de Picoro. Ainda assim, Son Goku deveria ser chamado normalmente só Goku (Son é o apelido), do mesmo jeito que Son Gohanda (que, neste caso, seria melhor Gohan -leia-se o h aspirado-) e Son Gotén (Gotén). Oferece também erro o nome do Mestre Mutenroi, que deveria ser chamado igual sempre e nom Xenio da Tartaruga quando o conhecem, e Kame-sennin ao começo de GT.

- A censura que tem é a proveniente da França, donde se compraram os capítulos. Para serem congruentes com essa censura, há partes nas que dizem cousas estranhas e sem sentido (”dá-me um bico” em lugar de “amostra-me as tetas”). E, aparte, dá a sensaçom de que nom foi traduzido directamente do japonês como deveria, senom duma outra língua (francês?). Pola mesma, há conversas com bem pouco sentido mesmo sem haver censura (Vegeta diz “se me vas dizer algo di-mo já” quando no original diz “afeitei o bigode, estúpida”), dando lugar a uma cena sem muito sentido, quando no original é uma das mais engraçadas. Por favor, traduçom literal do original!

Ainda assim, o mal já está feito. Tende cuidado com próximas dobragens de outras séries ou de filmes de Bola do Dragom se os houver. E agradecido por todas as boas dobragens e por nos fazer desfrutar duma série tão magnífica na nossa língua!