A curiosidade matou o gato


O artigo A curiosidade matou o gato foi publicado orixinalmente no número 36 de Auriensis, a revista do Ilustre Colexio Oficial de Médicos de Ourense, en outubro de 2017.



O outro día veu facer un recoñecemento médico un home acompañado polos dous fillos pequenos. Até aquí todo normal, no verán ás veces é difícil encontrar alguén que coide dos nenos. Non pasa nada, normalmente son guiadiños e pórtanse ben. E este caso non foi unha excepción.

Nun momento determinado, en canto facía ao pai as probas de acuidade visual, os dous nenos comezaron a murmurar entre eles. Logo dun anaco, cando acabou a proba, un deles armouse de valor e preguntoume polo “chisme con buraquiños” que usara. Inmediatamente o pai repreendeuno e mandoulle calar dicindo “Non molestes!”.

Curiosamente, o que me molestou non foi a pregunta do neno, foi o “Non molestes!” do pai.

Sonic é um ouriço ou um porco-espinho?


O artigo Sonic é um ouriço ou um porco-espinho? foi publicado originalmente no PGL em 1 de fevereiro de 2017.


Vamos ver. Sonic, a mascote da SEGA, é um ser azul antropomórfico de um metro de altura, com espinhas às costas, vestido com ténis e luvas, que pode correr mais rápido que a velocidade do som. Com estas caraterísticas nom é ouriço nem porco-espinho. Nem nada que poda ser encontrado na Terra. Mas a realidade é aborrecida, polo que vamos ignorar este pequeno detalhe e continuar adiante.

O nome oficial do Sonic é, em inglês, Sonic the Hedgehog. A palavra hedgehog fai referência aos mamíferos da subfamília dos Erinaceinae. Entom, ainda que nom podamos precisar a espécie, sabemos a subfamília a que pertence. E como chamamos aos membros desta subfamília em galego? Pois… ouriços. Já está, podemos dizer que o Sonic é um ouriço. Pronto. E sim, já vos adianto que esta é a resposta correta, mas é um pouco mais complicado do que isto.

Em galego-português temos duas palavras que se confundem, ouriço e porco-espinho. Se formos exatos, ouriço (ou oiriço) é aquele animal da subfamília dos Erinaceinae, e porco-espinho (ou porco-espim) som duas famílias diferentes de roedores, Hystricidae e Erethizontidae. Mas a fala coloquial nom é exata, e assim surgem as complicações.

Nenas con pene e nenos con vulva


O artigo Nenas con pene e nenos con vulva foi publicado orixinalmente n'As MIR e unha noites en 31 de xaneiro de 2017. Na realidade, trátase dunha versión modificada doutro artigo anterior, Trans.


Antes de chegar á universidade, na química que estudei no bacharelato, aprendín que trans é aquel esteroisómero no cal os substituintes están en lados opostos da dupla ligazón (no caso dos alquenos) ou en caras opostas (no caso dos cicloalcanos). Máis tarde, xa na facultade de Medicina, aprendín que os ácidos graxos trans son aqueles ácidos graxos saturados que teñen unha configuración xeométrica trans. Estes ácidos graxos trans forman graxas trans, que se encontran en alimentos sometidos a procesos de hidroxenación. Estas graxas, que melloran a frescura e textura dos alimentos, son prexudiciais para a saúde, aumentando os niveis de lipoproteínas de baixa densidade (o coñecido como colesterol mao) e o risco de padecer doenzas do corazón e certos cancros.

Ben, antes de continuar, perdoade o tixolo que vos acabei de soltar. Serve para explicar o meu argumento. Todo isto aprendino durante a miña formación, e non só. A xente que non estudase unha carreira de ciencias seguro que ten ouvido falar das malvadas graxas trans algunha vez. En programas destes de saúde da televisión, en anuncios de alimentos superchachis para a saúde que non levan nadiña de graxas trans, ou sairía o tema nalgunha conversa con alguén. Fálase disto abertamente. Sen complexos. Sen tabús. Mais resulta que as graxas non son o único trans que existe.

Trans


O artigo Trans foi publicado originalmente no PGL em 24 de janeiro de 2017. Existe umha versom posterior deste artigo com grandes modificações, Nenas con pene e nenos con vulva.


Em química orgánica, trans é aquele esteroisómero no qual os substituintes estám em lados opostos da dupla ligaçom (no caso dos alcenos) ou em caras opostas (no caso dos cicloalcanos). Em bioquímica, os ácidos gordos trans som aqueles ácidos gordos saturados que tenhem umha configuraçom geométrica trans. Em medicina, as gorduras trans som aquelas formadas por ácidos gordos trans, que se encontram em alimentos submetidos a processos de hidrogenaçom. Estes processos melhoram a frescura e textura dos alimentos, mas estas gorduras trans som prejudiciais para a saúde, aumentando os níveis de lipoproteínas de baixa densidade (o conhecido como colesterol mau) e o risco de padecer doenças do coraçom e certos cancros.

Bem, antes de nada, perdom polo tijolo que acabei de soltar, mas continuai comigo. Tudo isto aprendim-no na educaçom pública do nosso país. Se mal nom lembro, forma parte do temário do bacharelato de ciências. A gente que fosse por letras ou artes nom o estudaria, mas seguramente ouviria falar de gorduras trans na televisom, em programas de saúde, ou na publicidade, em anúncios de alimentos. Fala-se deste tema abertamente, sem complexos, sem tabus. Mas as gorduras nom som o único trans que existe.

Em nengum momento da educaçom me falárom das pessoas trans. Na televisom, o mais parecido que vim eram paródias supostamente humorísticas de homens disfarçados de mulher. Na publicidade, nem rastro. Criei-me sem saber absolutamente nada do tema, ou pior, conhecendo apenas umha visom paródica e burlesca. Nom quero nem pensar quantas vezes, por inconsciência e ignorância, causei dano sem decatar-me a alguém que nom se sentia identificado com o género que lhe foi imposto pola sociedade.

Por isso som tam necessárias as campanhas como a que está a realizar a associaçom Chrysallis Euskal Herria. Nas paradas de bus de 4 capitais bascas (Donostia, Gasteiz, Bilbo e Iruñea) há grandes cartazes com crianças debuxadas e a legenda “Há nenas com pénis e nenos com vulva. Assim de singelo”. Umha forma simples e direta de mostrar a realidade tal e como é. Para dar visibilidade a um coletivo ignorado, e para educar pessoas ignorantes coma mim.


Saudinha!


O artigo Saudinha! foi publicado originalmente no PGL em 9 de novembro de 2016.


Ainda que nom o pareça, sou médico. Sim, de verdade, nom estou a brincar. Figem Medicina em Santiago de Compostela, e tenho o título assinado polo Rei de Espanha e tudo. Pobre reizinho, aí todo o dia a assinar diplomas, deve ter a mão mais dolorida que um adolescente em pleno apogeu do seu despertar sexual. Enfim, nom era de reis e de masturbações do que vos queria falar, que me enredades!

O caso é que durante as minhas práticas no hospital, alá no ano 2010, um velhinho despediu-se de mim usando a expressom Saudinha!. Adorei tanto que mesmo dei aviso no Twitter de que daí em diante ia incorporá-la à minha fala. E meu dito, meu feito. Converteu-se na minha fórmula de despedida padrom, a minha assinatura léxica ao final das mensagens escritas por mim. Mas assim como essa palavrinha chegou a mim, quero partilhá-la com toda a gente, difundi-la, e quem sabe se algum dia chega a estar na moda.

Saudinha, obviamente, é o diminutivo de saúde. Mas se despedir-se com um Saúde! soa formal, mesmo litúrgico. O diminutivo dá-lhe umha familiaridade especial. Tem esse aquele tam galego que dá o sufixo -inho, capaz de converter a cabeça em cabecinha e o sentido em sentidinho. Porque ter saúde é fundamental na vida, mas ter saudinha fai a vida melhor.

Ainda que nom é comum que os dicionários indexem diminutivos, a tal palavrinha aparece em dicionários galegos como o Estraviz ou… oh, surpresa, também em dicionários portugueses e brasileiros, como o Priberam. E nom é cousa moderna, madia leva, que leva aparecendo em dicionários da nossa língua como mínimo desde o de Marcial Valladares, do ano 1884.

Ah! E como último apontamento, a pronúncia mantém o mesmo hiato que saúde. É dizer, é pronunciado sa·u·di·nha, quatro sílabas. Nom é como a palavra saudita (Arábia Saudita), que tem apenas três sílabas, sau·di·ta. Como bem explicam no Ciberdúvidas, para casos como estes se calhar até era bom usar a diérese para aclarar a pronúncia (saüdinha). Mas agora que por causa do Acordo Ortográfico a tendência é a desterrar esse sinal, nom vamos andar a complicar ainda mais a ortografia, ou?

Entom, agora que já vos contei todo o que tinha a dizer sobre a palavrinha, adivinhades como é que vou despedir este texto? Pois é, vai ter o final previsível, que tampouco é questom de fazer agora um plot twist.

Saudinha!